14.5.07

Pelos olhos escrito

Jamais ouvirei olhos como os seus,
que dizem, ao meu pranto de loucura, a lucidez.

Beijo seus olhos como bebo seus nervos,
enervo, em delírio, seus derradeiros anseios.

Pisca, e, se pisca, esconde-me nesses cílios,
durmo onde as pálpebras comprimem os rios

e o bebo. Tenho com teu peito, meus filhos,
sonho que sonho a realidade que piso.

Não é preciso, é verdadeiro, se vejo seus lábios,
os vejo, como antes sonhados, e beijo...

Jamais escreverei alma como a sua,
morrerei para vê-lo, depois voltarei às desalmadas ruas

para clamá-lo à altura;
morrerei por viver todas as vidas em uma.

Lutarei para amar e amá-lo como nunca;
Milênios sentidos em anos me machuca,

e, que machuque, que rebente em seus braços,
a minha fúria delicada que serve à tua.

(Rodrigo Almeida)

Peneira de estrelas

Hão de haver anos mais límpidos,
vislumbrados pela sapiência de uma humanidade,
da qual insisto duvidar de um completo egoísmo.
Há de existir resquícios de sensibilidade!

E ao incrédulo aponto, fatídico,
a incansável beleza que emerge
do asfalto - uma rosa - como, em sigilo
quem grita aos vivos, que o cadáver é o cético,
o falso, o suicida, não o assassinado.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Berra, profeta amortizado! Clama independência
ou morre, abafado pela covardia surda,
daqueles que gesticulam armados, consciência
ainda muda, pois não interfere com razão, abusa!

Oh, oooooooooooh, a política! O mundo
será sempre reflexo das almas que o habitam.
Que seja dada a razão intraduzível das exatas, ao poeta,
e a incalculável abstração da sensibilidade, aos de pedra.

(Rodrigo Almeida)

Foi a saudade...

Escreva. Transcenda em palavras toda a beleza.
Soluce o que precisa nascer de uma vez por todas;
Grite por uma unção ao universo. Até que em seu peito floresça
o que for imune ao tempo, um verso...
Deixe seu corpo cair lentamente como pétala
esqueça que o vento mal suporta carregá-lo sem movimento
aprenda que o tempo tem a culpa de levá-lo semi-nu ao momento
que seu corpo parar, mas será só mais uma seqüela.
Poeta, em você o amor esqueceu de dormir
seu coração suporta a sublime sensibilidade
sua mente vive, mas pouco tem a discutir sobre a verdade
pois não há razão maior do que as leis esquecidas pela humanidade,
a de sentir.
Voe, perdoe-me se um dia o fiz sofrer
imploro que entenda que preciso errar para viver
explica-me onde peco; explico-te o que é meu crime
por vários motivos tive que esconder
pode um prisma brilhar mais que o meu sangue?
Que a lua renasça entreaberta,
se meu sangue for mais barato que uma moeda, poeta,
se minha dor for atrativo pra você...
Amo, o que não é utopia,
não estás atrás de estrelas,
amo o que não for somente poesia
pois até parece que enfeito tudo o que sinto com palavras,
quando são elas as enaltecidas pelo choro da minha alma...

(Rodrigo Almeida)