CRIANÇAS
I
Aberto à fuga pública.
(“Petúnias são as favoritas dela.”)
Permaneces sorrindo, maravilhado.
Leve, leve, leve, leve na pronúncia, num perdão
feito de amnésia
induzida.
_“Escuta. Escuta o que tenho hoje pra dizer!
Esqueça tudo o que ouviste antes.
O outrora já silenciou aquelas palavras.”
_“E as coisas que diz agora tem validade?”
_“Sim. Em breve serão só páginas.
Mas hoje são sementes; peles; é o suor que te faço; a água que bebes; o amor que te tenho.”
_“Peça.”
_“Perdão.”
_“Eu te peço que antes apague dos teus olhos os teus erros. Que me veja agora e... sereno... entenda os meus erros em mim. Eu te peço um livro aberto, honestidade, um canto na minha linguagem, eu te peço fluência. Eu perdôo os meus erros em ti.”
Um recomeço, pronuncias...
A tua face encantada ao ver-me
após muitas vistas passageiras.
Olha-me como o único porto; sem qualquer temor; além de cúpulas e torres; com polidez maior; olha-me para além do edifício que estou por dezessete anos; da minha velha cama, do meu velho rosto; para além desses braços que te
Conforto.
Desses lábios que te
Louco.
E te deixa a minha aparência despida quando te
Biografia.
II
Sorriso leve feito um pós-guerra aos pos-vivos...
(pos-vivos? Pos-virgens? Quis dizer recomeço.)
: A vista do teu contra-luz chegando
a passos largos, a olhos nus,
pela janela.
E tu acenas!
Teu rosto avermelhado;
a permanência;
os percursos de carvalho.
III
Ruídos infantis, nos corredores de casa,
e na minha própria história, caminhavas...
“Entre, por favor.”
Tuas botas na porta,
e tua escrita na sala.
Recordo-as num lugar desses...
Num... como chamam?... amigo ausente.
Isso não existe, ausente é o sobressalto de alguém
em nós.
Não há bilhete
mais vivo do que o que leio de cór,
nem abraço mais apertado
do que aquele que fazia-nos um só homem gordo,
e nos fez suspensos
na amplidão implícita do amor.
E do momento.
E sorrio o mesmo de outrora.
O que seriam esses sons de veracidade,
teus risos, criança...
- rios de alma
e céu de olhores – o que havia de ser amar,
agora que eu te amo?
Se só agora há o que fingem haver.
O que havia de se temer, o que é maturidade?
É acumular poderes sobre os homens.
Que gosto sinto? É o de outono do ano favorito, e m arte ,
de critérios... da confiança suplicante,
de saudades. Porque é preciso que partas
pra que fiques o teu pedaço
e a tua lembrança.
E as minhas predileções.
E que teus retratos se percam,
pra que eu te invente.
E te saiba.
IV
Talvez o amor seja perder alguém amigo pela amizade,
caso seja necessária a renúncia.
Talvez sejam duas crianças.
O amor,
sejam duas.
Nós dois deitados no gelado do telhado,
com restrições:
amigos.
A conversar amabilidade…
E na felicidade,
nesse ímpeto de vida
que todos esquecemos…
Dizer “eu te espero crescer
E te impeço casamentos”.
"Essa música me traz meus primeiros metros
essas rugas remetem o meu rejuvenescimento.”
Alimentados nascemos (alimentos nos tornamos), ainda repletos,
viemos de outro peito e para outros iremos.
(Como Platão nutrindo humanidades escrevendo um banquete.)
O amor,
num talvez inocente desfecho,
seja dizer: "vamos amar?"
como quem diz:
"vamos experimentar a tinta na parede?",
e viver essa pintura da melhor forma possível.
Esse é o tempo-eixo,
o resto da vida beira a margem do círculo.
Assim que crescer... a semeadura,
e o céu diante da pequenez de nossa ossatura,
e a grandeza da nossa ave,
criançará-nos a face, a alma, apesar do surto caduco.
A irrelevância dos tempos, a inocência é o final da estrada.
Será hora de um cedo poente, um hoje mais urgente que outros.
Crianças seremos quando crescerem os céus e nossas asas
elevarem-nos ao espaço onde convive a eternidade e visitam os oráculos.
V
E... Dalva, tu que és minúcias
e desvelo,
cresceste.
Tivera idade de ser mãe e foi de si mesma.
Envelheceste.
Agora és avó e mãe três vezes
da criança que nunca deixaste morrer.
5.5.09
Capítulo 7 (O panorama.)
O PROCESSO ANTERIOR
Até onde eu sei
É o aqui.
E até onde o amor sabe de mim,
à frente de mim,
na ilha fértil que espera por mim,
onde não soube sentir o suficiente,
e agir devidamente,
não há riscos
em seguir sem a tua reciprocidade.
E digo isso para o mundo.
Primeiro eu te desejo um rumo.
Depois me alimento das suas perdições
e te esqueço.
Por um prêmio, te relembro.
Quero o meu lugar
na história e nas tuas escolas.
Amo o momento,
o clímax que me privilegia e nada
além do efêmero.
Depois te perco e vem um ressentimento nulo.
Eu bebo o mar revolto
porque a sede de ti eu invento agora que não te tenho.
Eu respiro o ar dos outros,
quando ninguém compreende a beleza do meu sofrimento.
Quero a ti como nunca quis antes,
pois sei que antes de tê-lo eu não sentia a ausência que caminha comigo,
dizendo as coisas finitas que sempre lembro.
Há um saber absoluto (E de vastos anos. Anos terrenos abertos.)
de um amor consciente do valor do mundo.
E do presente.
Porque esse presente eterno que vive agora agora,
nesse poema que lês e toma-te o tempo,
foi o passado e será o futuro da vida.
Eterna vida que será o passado e foi o futuro agora que termina
essa poesia.
Por isso primeiro te tento.
Depois te desprezo, mundo.
Depois fico enfermo.
Depois rezo ajoelhado no meu tumulto.
Depois te quero.
Depois a vida é melhor que o seu contrário.
Depois, primeiro me tento aperfeiçoar.
E me desprezo por ser os meus erros; tão humano o meu medo de arrependimento;
E quero ser amado antes de amar.
Primeiro eu sopro, depois eu vento.
Amá-lo como a mim mesmo
é:
olhar hoje
com os seus
olhos no espelho
e dizer ao ego
que tenho beleza
mesmo não vendo
da onde nasce essa certeza.
Vivi a ti como a ti vejo.
E sendo-te, os desejos e os sonhos,
sabendo teus medos
e entendendo o teu santo,
eu o quis feliz,
comigo ou
com
o meu abandono.
Há uma imensidão de sonho..
…e de arte,
nas minhas lembranças
de nós dois.
Lembro que você sorria,
hoje no carro,
e a Nina cantava
a nossa palavra,
a nossa promessa
de envelhecer amigos.
E renascer.
E cada vez que te amo,
com interlúdios e estudos de Chopin,
abraço mais a liberdade do amor que é de virtudes,
e voa como música entre nossas harmonias.
Abraço o teu momento ao meu lado.
E nossas noites.
Legados.
Até onde eu sei
É o aqui.
E até onde o amor sabe de mim,
à frente de mim,
na ilha fértil que espera por mim,
onde não soube sentir o suficiente,
e agir devidamente,
não há riscos
em seguir sem a tua reciprocidade.
E digo isso para o mundo.
Primeiro eu te desejo um rumo.
Depois me alimento das suas perdições
e te esqueço.
Por um prêmio, te relembro.
Quero o meu lugar
na história e nas tuas escolas.
Amo o momento,
o clímax que me privilegia e nada
além do efêmero.
Depois te perco e vem um ressentimento nulo.
Eu bebo o mar revolto
porque a sede de ti eu invento agora que não te tenho.
Eu respiro o ar dos outros,
quando ninguém compreende a beleza do meu sofrimento.
Quero a ti como nunca quis antes,
pois sei que antes de tê-lo eu não sentia a ausência que caminha comigo,
dizendo as coisas finitas que sempre lembro.
Há um saber absoluto (E de vastos anos. Anos terrenos abertos.)
de um amor consciente do valor do mundo.
E do presente.
Porque esse presente eterno que vive agora agora,
nesse poema que lês e toma-te o tempo,
foi o passado e será o futuro da vida.
Eterna vida que será o passado e foi o futuro agora que termina
essa poesia.
Por isso primeiro te tento.
Depois te desprezo, mundo.
Depois fico enfermo.
Depois rezo ajoelhado no meu tumulto.
Depois te quero.
Depois a vida é melhor que o seu contrário.
Depois, primeiro me tento aperfeiçoar.
E me desprezo por ser os meus erros; tão humano o meu medo de arrependimento;
E quero ser amado antes de amar.
Primeiro eu sopro, depois eu vento.
Amá-lo como a mim mesmo
é:
olhar hoje
com os seus
olhos no espelho
e dizer ao ego
que tenho beleza
mesmo não vendo
da onde nasce essa certeza.
Vivi a ti como a ti vejo.
E sendo-te, os desejos e os sonhos,
sabendo teus medos
e entendendo o teu santo,
eu o quis feliz,
comigo ou
com
o meu abandono.
Há uma imensidão de sonho..
…e de arte,
nas minhas lembranças
de nós dois.
Lembro que você sorria,
hoje no carro,
e a Nina cantava
a nossa palavra,
a nossa promessa
de envelhecer amigos.
E renascer.
E cada vez que te amo,
com interlúdios e estudos de Chopin,
abraço mais a liberdade do amor que é de virtudes,
e voa como música entre nossas harmonias.
Abraço o teu momento ao meu lado.
E nossas noites.
Legados.
4.5.09
Capítulo 4 (O longa-metragem de um porta-retrato num quadro por segundo.)
NA TUA BOCA EU BEIJO O MEU NOME
Lábios são heróis, às vezes,
discursando a paz política das mentes
quando a paz é sede.
Lábios são às vezes asas, simplesmente.
E o poder voá-los
mais alto, mais
ave. Reticente. Luneta em tuas ciências
do espaço; de estrelas; do ato luminescente
do privilégio da palavra, das declarações,
dos conselhos que perduram,
da boca inerente
ao próprio uivo.
: poder ser teu instrumento.
Sax ao vento
que desabrocha
dos lábios músicos.
A boca inerente a própria música.
Por onde dormes agora? De repente
te sinto amores…
E tuas pálpebras hoje também são minhas.
Você me dorme, às onze e trinta, bocejos
à meia-noite.
Nós, duas horas extremas,
sonhamos o mesmo.
Sonho tua presença onde estejam meus desejos.
Como é alta a tua voz, e íntima…
…e doce é o que dizeis.
Tua palavra na minha língua…
…me umedecendo.
Sabe que sou vasto
quando menos?
Que canto aos gritos o silêncio?
Há imensos mares em mim.
Há tanto ar me convencendo
...
E altitudes.
Vôos.
Teu pensamento em mim.
O topo das árvores e a sombra.
A folhagem ouvida na cidade.
A lembrança do interior.
A saudade esquecida em sua plenitude.
A carta da juventude.
A tarefa da flor...
Convencendo a menos rasteiro,
a menos suor e mais calor.
A longe da cidade,
mais inteiro.
Menos denso, mais diários,
mais maduro em menos tempo.
E livre... ser-te bálsamo,
E a flor sonhar teu perfume.
Traga teus bandos e cardumes.
Estou lago,
esperando-te há toques passados
ansiosos
por tocá-lo.
A verdade
existia
quando
eu, menino ainda, com o meu desequilíbrio no andar,
aguardava a vida.
A tua face
na minha.
Aguardava o fim das vergonhas.
O início das próximas horas.
A música que a mão contorna,
e transparente, invisível, chora-me tímpanos.
Aguardava o conselho das senhoras.
O medo passar.
As respostas
do outro lúcido.
“E aguardar é a confiança, criança,
no futuro que virá.”
A Verdade transparece (você),
um vidro que aos poucos amanhece
bem claro, cada vez mais, até que dourado
e menos mordaz, suave (suado), torne-se um papiro em branco
amarelado. A verdade precisa
ser escrita. Antes desse exato momento,
tudo, todos somos verdadeiros.
Tudo acontece.
A “mentira” é o que foi ignorado.
Que eu te seja verdadeiro.
Escreva em mim o teu presente
e os teus beijos.
Deliciando
a pele pelos cantos.
A pele entregue.
Eu preciso
de arma.
Nem que seja um piano,
aqui em casa,
e o meu canto de extrema prudência
e palavra luminosa, e silêncio profundo.
Fora isso, nada.
Silêncio é a harmonia dos sons.
E ela é a tua fala.
Lábios são heróis, às vezes,
discursando a paz política das mentes
quando a paz é sede.
Lábios são às vezes asas, simplesmente.
E o poder voá-los
mais alto, mais
ave. Reticente. Luneta em tuas ciências
do espaço; de estrelas; do ato luminescente
do privilégio da palavra, das declarações,
dos conselhos que perduram,
da boca inerente
ao próprio uivo.
: poder ser teu instrumento.
Sax ao vento
que desabrocha
dos lábios músicos.
A boca inerente a própria música.
Por onde dormes agora? De repente
te sinto amores…
E tuas pálpebras hoje também são minhas.
Você me dorme, às onze e trinta, bocejos
à meia-noite.
Nós, duas horas extremas,
sonhamos o mesmo.
Sonho tua presença onde estejam meus desejos.
Como é alta a tua voz, e íntima…
…e doce é o que dizeis.
Tua palavra na minha língua…
…me umedecendo.
Sabe que sou vasto
quando menos?
Que canto aos gritos o silêncio?
Há imensos mares em mim.
Há tanto ar me convencendo
...
E altitudes.
Vôos.
Teu pensamento em mim.
O topo das árvores e a sombra.
A folhagem ouvida na cidade.
A lembrança do interior.
A saudade esquecida em sua plenitude.
A carta da juventude.
A tarefa da flor...
Convencendo a menos rasteiro,
a menos suor e mais calor.
A longe da cidade,
mais inteiro.
Menos denso, mais diários,
mais maduro em menos tempo.
E livre... ser-te bálsamo,
E a flor sonhar teu perfume.
Traga teus bandos e cardumes.
Estou lago,
esperando-te há toques passados
ansiosos
por tocá-lo.
A verdade
existia
quando
eu, menino ainda, com o meu desequilíbrio no andar,
aguardava a vida.
A tua face
na minha.
Aguardava o fim das vergonhas.
O início das próximas horas.
A música que a mão contorna,
e transparente, invisível, chora-me tímpanos.
Aguardava o conselho das senhoras.
O medo passar.
As respostas
do outro lúcido.
“E aguardar é a confiança, criança,
no futuro que virá.”
A Verdade transparece (você),
um vidro que aos poucos amanhece
bem claro, cada vez mais, até que dourado
e menos mordaz, suave (suado), torne-se um papiro em branco
amarelado. A verdade precisa
ser escrita. Antes desse exato momento,
tudo, todos somos verdadeiros.
Tudo acontece.
A “mentira” é o que foi ignorado.
Que eu te seja verdadeiro.
Escreva em mim o teu presente
e os teus beijos.
Deliciando
a pele pelos cantos.
A pele entregue.
Eu preciso
de arma.
Nem que seja um piano,
aqui em casa,
e o meu canto de extrema prudência
e palavra luminosa, e silêncio profundo.
Fora isso, nada.
Silêncio é a harmonia dos sons.
E ela é a tua fala.
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