v i g é s i m a p r i m e i r a d i n a s t i a

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

“Na verdade não há outra história para explicar o fracasso de tantos pensadores, e deixar o pensamento filosófico como que sem nenhuma utilidade para posteridade. A filosofia se transformara em livros de auto-ajuda, em historinhas de Sócrates e suas verdades... a filosofia se metamorfoseara em chapeuzinho vermelho, e o lobo mal desapareceu com a vovozinha da razão. Aliás, resta muito pouco, para que muitos se apercebam da crise dos sistemas inteligíveis; estes últimos foram substituídos por mitos obscuros, por prosas onde se bombardeiam o leitor com indagações fútil/irrespondíveis, para não dizer estúpido/pueris, e por dicas de bolo filosóficas, e retóricas, destinada a convencer animais a explicar o mundo”.

Henrique de Shivas

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

cont. do prefácio (pqp, só sai poesia dessa merda de cérebro)

Imediatamente, iluminarei os teus olhos, leitor, com a percepção do passado.

Mas não pense olhar agora para trás. No máximo, se a ti parecer prudente, feche os olhos no momento da tua viagem, feche-os.

Sinta a umidez da água que correu teu rosto. Há vívida na pele, não há?

“No meu primeiro dia” lembra-se Lício, desperto pela verdade de menino, da infância, aquela que nutre ainda a imensidão de noite que consente no silêncio do espaço. Ele paira numa estrela distante daquela memória, viva no passado, porém tão intensa ainda. Memória que reluz em todo o lugar. Que atinge até mesmo o sabor dessa viagem, que poderia ser marcada com a brasa das lembranças inesquecíveis, caso eu ainda estivesse vivendo o presente. Algumas coisas não morrem, cavalgam lado a lado numa carruagem de vento que está sempre conosco.

“No meu primeiro dia ao teu lado, fingi que não te reconhecia de outras vidas, tamanha a intimidade que rendi.”.

Lício é um simples trabalhador, homem de suave honestidade. Suave perversidade. Íntegro. Muito curioso, feito de perguntas. A visão que agora tinha do planeta Terra, trazia sentimentos intermináveis e alguns desconhecidos. Olhe para um amigo morto e saberás um pouco, leitor, dessas sensações. Não abandonei o planeta, mas não tenho mais comigo o aroma daquelas terras. Nem sei se me vêem ou se me procuram. O fato é que algumas coisas precisam ser vislumbradas de bem longe até que fiquem pequenas e caibam em minhas mãos. Falaremos delas mais tarde.

Por entre os percursos de realidade, caminhei sempre com as mais indecifráveis sensações, invocando a humildade de reconhecer nelas os seus mistérios e as minhas ignorâncias.

Não te conheço ainda, Lício, porque você é para onde caminha o meu estudo. Estudo homens como você. Sei que nada te sei: ...da razão coordenada; do segmento e da evolução humana; de um universo de pensamentos; de origens seculares; tentativas de mitos; de narrativas em linguagens matemáticas; de átomos propostos no teu corpo – que para mim é uma chama periódica por dentro – da razão que, seguramente, só sei sentir. Lício.

Contigo transformo idéias de nós mesmos, como se fôssemos hipóteses de gente. A verdade é que somos uma perfeição sem noção da complexidade – ou simplicidade? – disso.

Simplicidade!

Enquanto isso um experimenta o outro, como quando você me levou para um lugar só seu, numa noite muito parecida com essa, muito azulada. Eu dirigia cegamente, mas você, você me dirigia em silêncio com o caminho traçado à minha frente. Entramos num prédio desconhecido pra mim, mas teu velho território, aparentemente. Subimos escadas feito invasores. Tive mais coragem em encará-lo porque estávamos na penumbra e assim meu rosto fica mais bonito. O trajeto ainda incluía uma passagem estreita, para corpos magros, que daria finalmente num terraço. “Eu ficava aqui quando era menor, sozinho.” Disse. Pronto, ficava sozinho. Ficava.

Dessa vez determinamos uma mudança naquele passado. Ao levar-me até lá, passei a fazer companhia ao pequeno Lício, que agora me via e tinha um amigo. Tornamo-nos amigos para a vida toda: para o passado – já faço parte -, presente e futuro. A vida toda não passa de uma consciência do tempo.

A vida toda não passa.

Sou um espírito cheio de segredos e nenhum deles será compartilhado aqui nessa história, pois que prefiro dizer a quem realmente escuta, apesar de não julgá-los analfabetos só porque lêem isso como se fosse uma autobiografia sua. Julgo analfabetos porque não lêem como se ouvissem a biografia de outra pessoa. É difícil colocar-se no lugar do outro. É difícil porque não sabem amar. Julgo mesmo. Contarei o que vale a pena ser dito. Desejo que os corações letrados de humanidade sejam capazes de penetrar nas páginas em branco que deixarei de escrever. É possível que eu me apaixone por você, e que eu faça dessa nossa relação um motivo de desabafo e de conspirações.

A ciência, a arte e a religião serão a mesma coisa. As coisas primárias. Depois delas – e além delas – tudo o mais será uma transformação. A união independe dos propósitos distintos. O contraponto é também uma soma. Só ao lado do complementar é possível realçar-se ao máximo.

Quando isso é dito, há um desafio enorme enunciado; uma batalha entre invencíveis ou entre derrotados, sem que a sutileza dessa resolução seja contemplada; há o tormento das diferenças entre raças, argumentos, escolhas e ambições terráqueas: a – com a licença do termo – lunática importância de conviver com os opostos. A incriada sabedoria de ser oposto à nada.

Façamos o nosso sexo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Prefácio

As linhas desse livro contém demasiado tempo. Historicamente, são auxílios do futuro; são conselheiros fiés do porvir; um farol magnífico na costa que ilumina e aporta frotas e frotas de previsões. A história dessas linhas começa há muito tempo presente, - uma pergunta: como se conjuga o tempo presente no passado, sem apelar para uma palavra rudimentar que evoca a morte? – quando um homem comum, provido de qualidades naturais da cultura de sua década, por direito sua, nada excepcionais, como a cobiça embrionária de seus desejos, a fisionomia marcada por um contato descuidado com as noites, a arritmia cardíaca, breves e pequenos amores, ímpeto de viagens – talvez o mais fundamentado em sua personalidade -, viaja à distâncias - ao encontro delas -. Viaja... um percurso no universo, na velocidade de uma luz – o que equivaleria, se à mim fosse permitido a especulação, há 500 anos.

Só conhece a distância quem a ela se entrega sem medição; pura em sua propriedade indefinida; sigilosa. Assim, alcança uma estrela morta. Sabe que a luz desta, que agora chega no planeta Terra, provém do passado, fazendo-a visível e, apesar de morta, íntegra à constelação. Ele agora repousava na luz do futuro da Terra, cansado da viagem. A luz da estrela atingia nesse momento a noite da Europa. De qualquer modo, não havia nada que ele pudesse chamar de futuro naquele corpo celéste vagando pelo espaço, pois como alguém seria um dia capaz de identificar no presente que vive - na vista que possui, num arrepio, na presença das coisas, na viva repercussão do ambiente que atinge sua audição, nos sentimentos - o futuro? E aqueles que ficaram na Terra e vêem uma luz pré-histórica da estrela que ele agora habita, como poderiam compreender vislumbrar o passado? Talvez, numa hipótese indecente, porém passível de verdade, o presente sejam dois elementos: o passado e o futuro, capaz de iluminar cada um de nós de forma completamente diferente. Somos todos referenciais, se observadores extraordinários, e pontos de relatividade do tempo.

ONE

http://www.youtube.com/watch?v=gGO_h4z_lgk

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

corpo música (Canon XT - 50mm) (Modelo: Nan Giard)





novo portifólio de fotografia

http://www.rcalafange.daportfolio.com/

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Meus livros nunca justificam a minha ausência, mas são a razão do meu isolamento. Estou longe, sim, mas o dedico a você. Dedico meu isolamento e meu livro; você que é parte dele e não tem memória disso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Da veemencia do toque

(para Paulo Brás)

Mãos dadas por vocação da vontade.
Rios de mártir num solo de Vênus.
Homens que a arte guardou nuns desenhos.

E entregues, retocadas, virassem passe,
retocadas, as mãos,
vos acariciasse.

sábado, 5 de setembro de 2009

Capítulo 8 (Palavras safra 3000 a.C.) - partes I, II, III e IV

(para Marja Calafange e Akhenaton)


I
(...)

Diz-se por aí mais que as línguas.
Que foram eles, camponeses livres, conhecer os livros da minha infância.

Os camponeses me invadiriam. Suas lágrimas me invadiriam.
Seus filhos me seriam filhos.

Houve um dia, vivido no escuro da consciência,
que esse camponês
leu uma verdade demasiada.
Num vigor indescritível.
Com a voz alterada indescritivelmente.
E um amor tão obscuro à luz desses nossos dias,
que me cegam.

Disse, se é que minha lembrança permite repetir,
- vivo acostumado a recriar mentiras -,
disse primeiro com a pressa nos passos.
Subiu escadas num teatro opressivo,
sob olhares serpentinosos.
Eu o seguia firme até um holofote
de onde vi o rosto famoso da humanidade.

_“Requer coragem dizer
que em volta dessa espada tem um lume,
e nessa luz,
pessoas desenhadas,
em lutas e em mortes.

Requer coragem para dizer
que temos um armário de sombras nossas, antepassados, de dor,
e nesse armário temos marcado um 6 e um 9.
Aponta-se um cofre.

Requer coragem para dizer
que no cavalo tivemos peito inflado.
E no nosso peito existia a face da vida virada pra baixo,
de olhos cerrados e patriotismo na lei.

Requer coragem dizer que fomos amados, amados!,
e nesse amor
mudamos debaixo do sangue que bebiam as tardes,
tornando-nos arte. Não reis.

Requer coragem dizer
que nas paredes,
nos muros,
no tapete bordado de linho,
há renegado os papiros da verdade
e a tinta que dizia que coragem
é viver esses dias que vivo.
Covardia é calar desse ato o braço;
a voz; a nauta; e a história de amor e paz que há de ser escrita.

Requer uma vida.”

Calou-se a platéia, cheia de álcool e palavras venéreas.







II

A linguagem tem a primeira palavra
nesse discurso.

– Ignore o testemunho dos homens esclarecidos
e, ao invés disso, pensemos nos mitos e na palavra esculpida -

A linguagem é composta de toda a natureza.

Monções.
Atlântida.
Hermes nuns séculos.
E nas plantas.
Insetos.
Nas ancas,
nos beijos.
Na nuança de teu movimento.
Nas crenças.
No grito infinito de cachoeiras.

A palavra é essência.

Nas águas conduzindo uns navios.
Papiros.
Na mente migratória
de ignorâncias distantes à sapiências inerentes.
O olhar ruínas.
O corações chamas.

Guardas contigo o turbilhão de humanidade.


III

Havia muito espaço para o silêncio.
E formas-pensamento.


Escondas o teu nome
na obra de tua vida. Que esta te proclame
inteiro.

Permita-te, Homem, à vigilância do ignorante;
Permita-te
aos pés abertos à palavra inexplorada, egípcia,

palavra distendida da natureza;
palavra-crocodilo; serpente; a fecundação pelo vento;
a liderança da abelha; palavra; a predição do mel.

Escuta a pequena horta do verbo.
O mar de trigo
de quando digo
“Quero!”.
Um escaravelho em regeneração. A íbis
que cura as suas próprias feridas.
A medicina.
Escuta,
porque o fim é certo, escuta,
a luz que desata em estradas. A carne, o osso e os lugares
do AMOR.

“Eu te amo.”

.

O silêncio que de ti perdemos... no espaço.
Amo...
A bondade de me enlaçar num gesto,
numa fração de milênios,
num relâmpago em mim eterno,
que é o merecimento da tua amizade; da tua essência-carruagem
em mim: eterna viagem enamorada por tua saudade.

Que prossiga a tua presença
entre as minhas flores secas, entre as páginas violáceas que te guardam
e absorvem a tua cor no texto. E tua flor marcada por aquelas palavras.
Guardando a página.
Num ”Eu te vejo.”
Na voz que resguarda.

“E quando fechares teus olhos, tua idade segue comigo. Eu te levo pro futuro
Nuns versos.”

Guia; estrela Dalva.
Estrela escrita certa entre olhares tortos.

O amor é uma palavra difícil.
Se é que existe difícil; ou palavra; ou nada além de meus amigos,
Marja, nada além.


IV

Os dias de hoje têm sentido uma luz vinda dos dias futuros.
É como se caíssem sobre nossas cabeças um dilúvio de partituras
de Eras que virão.
Tentando dizer as verdades eternas
para raros ouvidos absolutos.

A música se espalha em silêncio.

É um som ambiente no contexto de nossas casas.

É harpa.
Planeta de regeneração e um dedilhado de acácios.

Porque amor é o príncipe que fugiu do palácio
pra mendigar alimento aos pobres que conhecem a caridade.
E sabem escutá-lo atentamente.


FIM

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

eu não estou te cobrando, é só a saudade. mas posso viver com ela e com uma esperança tranquila.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Capítulo 6 (Um lugar faminto por história)

AQUILO QUE PODEMOS SER


Que o PODER seja sempre verbo…

inconsolável.

As possibilidades coexistem à noite.
Nas coisas.

Num barco onde vivem as viagens adormecidas,
no aguardo de iniciativas,
...à espera sigilosa de algum caminho
e próximas vidas.

.


Poder
conjugado, se possível fosse,
por entre nós e vós, num todo indizível.

Algo nunca tido como desistência.
(E que nem esse “nunca” tenha a eterna existência.)

...
Podemos nos beijar, mas não agora.
O poder é regado por tempos
que virão...
…embora já nos tenhamos nesse apaixonado delírio
do desejo um do outro.

(_”O beijo podemos, ..., se há bocas em nós e suficiente silêncio.”)

Minhas mãos podem a vitória.
Podem elas tudo, ferir orgulho, tocar os primeiros
filhos do futuro no ventre de um basilisco.
Tocar seus rostos novos, com bochechas e covas.

Com mãos que oferecem a outra face pra derrota.

Podem acabar com nossos sonhos?
Podem.

Mas que o poder acabe, se não houver vigor
no teu amor.
Se as forças morrem desacreditadas,
ainda restam as obras que fizemos,
as escadas que já subimos, o lenço
que oferecemos a uma lágrima;
o berço
que agora é pequeno e nostálgico.
As vigas da nossa casa foram nos fortalecendo.

PODER não ter servos.
PODER servir aos que não sabem prestar.
PODER amar aos que só odeiam e nos governam.
Amemos.

O homem mais poderoso do mundo
tem a coragem de ser o menos.

Que o PODER seja sempre verbo…

sábado, 6 de junho de 2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Capítulo 5 (O mérito da amizade)

CRIANÇAS

I

Aberto à fuga pública.

(“Petúnias são as favoritas dela.”)

Permaneces sorrindo, maravilhado.
Leve, leve, leve, leve na pronúncia, num perdão
feito de amnésia
induzida.

_“Escuta. Escuta o que tenho hoje pra dizer!
Esqueça tudo o que ouviste antes.
O outrora já silenciou aquelas palavras.”

_“E as coisas que diz agora tem validade?”

_“Sim. Em breve serão só páginas.
Mas hoje são sementes; peles; é o suor que te faço; a água que bebes; o amor que te tenho.”

_“Peça.”

_“Perdão.”

_“Eu te peço que antes apague dos teus olhos os teus erros. Que me veja agora e... sereno... entenda os meus erros em mim. Eu te peço um livro aberto, honestidade, um canto na minha linguagem, eu te peço fluência. Eu perdôo os meus erros em ti.”

Um recomeço, pronuncias...

A tua face encantada ao ver-me
após muitas vistas passageiras.
Olha-me como o único porto; sem qualquer temor; além de cúpulas e torres; com polidez maior; olha-me para além do edifício que estou por dezessete anos; da minha velha cama, do meu velho rosto; para além desses braços que te
Conforto.
Desses lábios que te
Louco.

E te deixa a minha aparência despida quando te
Biografia.

II

Sorriso leve feito um pós-guerra aos pos-vivos...
(pos-vivos? Pos-virgens? Quis dizer recomeço.)

: A vista do teu contra-luz chegando
a passos largos, a olhos nus,
pela janela.

E tu acenas!

Teu rosto avermelhado;
a permanência;
os percursos de carvalho.

III

Ruídos infantis, nos corredores de casa,
e na minha própria história, caminhavas...

“Entre, por favor.”
Tuas botas na porta,
e tua escrita na sala.

Recordo-as num lugar desses...
Num... como chamam?... amigo ausente.
Isso não existe, ausente é o sobressalto de alguém
em nós.
Não há bilhete
mais vivo do que o que leio de cór,
nem abraço mais apertado
do que aquele que fazia-nos um só homem gordo,
e nos fez suspensos
na amplidão implícita do amor.
E do momento.

E sorrio o mesmo de outrora.

O que seriam esses sons de veracidade,
teus risos, criança...
- rios de alma
e céu de olhores – o que havia de ser amar,
agora que eu te amo?

Se só agora há o que fingem haver.
O que havia de se temer, o que é maturidade?
É acumular poderes sobre os homens.
Que gosto sinto? É o de outono do ano favorito, e m arte ,
de critérios... da confiança suplicante,

de saudades. Porque é preciso que partas
pra que fiques o teu pedaço
e a tua lembrança.

E as minhas predileções.
E que teus retratos se percam,
pra que eu te invente.
E te saiba.

IV

Talvez o amor seja perder alguém amigo pela amizade,
caso seja necessária a renúncia.

Talvez sejam duas crianças.
O amor,
sejam duas.

Nós dois deitados no gelado do telhado,
com restrições:
amigos.
A conversar amabilidade…

E na felicidade,
nesse ímpeto de vida
que todos esquecemos…
Dizer “eu te espero crescer
E te impeço casamentos”.

"Essa música me traz meus primeiros metros
essas rugas remetem o meu rejuvenescimento.”
Alimentados nascemos (alimentos nos tornamos), ainda repletos,
viemos de outro peito e para outros iremos.

(Como Platão nutrindo humanidades escrevendo um banquete.)

O amor,
num talvez inocente desfecho,
seja dizer: "vamos amar?"
como quem diz:
"vamos experimentar a tinta na parede?",
e viver essa pintura da melhor forma possível.
Esse é o tempo-eixo,
o resto da vida beira a margem do círculo.

Assim que crescer... a semeadura,
e o céu diante da pequenez de nossa ossatura,
e a grandeza da nossa ave,
criançará-nos a face, a alma, apesar do surto caduco.

A irrelevância dos tempos, a inocência é o final da estrada.
Será hora de um cedo poente, um hoje mais urgente que outros.
Crianças seremos quando crescerem os céus e nossas asas
elevarem-nos ao espaço onde convive a eternidade e visitam os oráculos.

V

E... Dalva, tu que és minúcias
e desvelo,
cresceste.
Tivera idade de ser mãe e foi de si mesma.
Envelheceste.
Agora és avó e mãe três vezes
da criança que nunca deixaste morrer.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Capítulo 7 (O panorama.)

O PROCESSO ANTERIOR

Até onde eu sei
É o aqui.
E até onde o amor sabe de mim,
à frente de mim,
na ilha fértil que espera por mim,
onde não soube sentir o suficiente,
e agir devidamente,
não há riscos
em seguir sem a tua reciprocidade.

E digo isso para o mundo.
Primeiro eu te desejo um rumo.
Depois me alimento das suas perdições
e te esqueço.
Por um prêmio, te relembro.
Quero o meu lugar
na história e nas tuas escolas.
Amo o momento,
o clímax que me privilegia e nada
além do efêmero.
Depois te perco e vem um ressentimento nulo.
Eu bebo o mar revolto
porque a sede de ti eu invento agora que não te tenho.
Eu respiro o ar dos outros,
quando ninguém compreende a beleza do meu sofrimento.
Quero a ti como nunca quis antes,
pois sei que antes de tê-lo eu não sentia a ausência que caminha comigo,
dizendo as coisas finitas que sempre lembro.

Há um saber absoluto (E de vastos anos. Anos terrenos abertos.)
de um amor consciente do valor do mundo.

E do presente.

Porque esse presente eterno que vive agora agora,
nesse poema que lês e toma-te o tempo,
foi o passado e será o futuro da vida.

Eterna vida que será o passado e foi o futuro agora que termina
essa poesia.

Por isso primeiro te tento.
Depois te desprezo, mundo.
Depois fico enfermo.
Depois rezo ajoelhado no meu tumulto.
Depois te quero.
Depois a vida é melhor que o seu contrário.
Depois, primeiro me tento aperfeiçoar.
E me desprezo por ser os meus erros; tão humano o meu medo de arrependimento;
E quero ser amado antes de amar.

Primeiro eu sopro, depois eu vento.

Amá-lo como a mim mesmo
é:
olhar hoje
com os seus
olhos no espelho
e dizer ao ego
que tenho beleza
mesmo não vendo
da onde nasce essa certeza.

Vivi a ti como a ti vejo.
E sendo-te, os desejos e os sonhos,
sabendo teus medos
e entendendo o teu santo,
eu o quis feliz,
comigo ou
com
o meu abandono.

Há uma imensidão de sonho..
…e de arte,
nas minhas lembranças
de nós dois.

Lembro que você sorria,
hoje no carro,
e a Nina cantava
a nossa palavra,
a nossa promessa
de envelhecer amigos.
E renascer.

E cada vez que te amo,
com interlúdios e estudos de Chopin,
abraço mais a liberdade do amor que é de virtudes,
e voa como música entre nossas harmonias.
Abraço o teu momento ao meu lado.
E nossas noites.
Legados.

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Lobos? São muitos. Mas tu podes ainda A palavra na língua Aquietá-los. Mortos? O mundo. Mas podes acordá-lo Sortilégio de vida Na palavra escrita.
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