odes mínimas
v i g é s i m a p r i m e i r a d i n a s t i a
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
“Na verdade não há outra história para explicar o fracasso de tantos pensadores, e deixar o pensamento filosófico como que sem nenhuma utilidade para posteridade. A filosofia se transformara em livros de auto-ajuda, em historinhas de Sócrates e suas verdades... a filosofia se metamorfoseara em chapeuzinho vermelho, e o lobo mal desapareceu com a vovozinha da razão. Aliás, resta muito pouco, para que muitos se apercebam da crise dos sistemas inteligíveis; estes últimos foram substituídos por mitos obscuros, por prosas onde se bombardeiam o leitor com indagações fútil/irrespondíveis, para não dizer estúpido/pueris, e por dicas de bolo filosóficas, e retóricas, destinada a convencer animais a explicar o mundo”.
Henrique de Shivas
Henrique de Shivas
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
cont. do prefácio (pqp, só sai poesia dessa merda de cérebro)
Imediatamente, iluminarei os teus olhos, leitor, com a percepção do passado.
Mas não pense olhar agora para trás. No máximo, se a ti parecer prudente, feche os olhos no momento da tua viagem, feche-os.
Sinta a umidez da água que correu teu rosto. Há vívida na pele, não há?
“No meu primeiro dia” lembra-se Lício, desperto pela verdade de menino, da infância, aquela que nutre ainda a imensidão de noite que consente no silêncio do espaço. Ele paira numa estrela distante daquela memória, viva no passado, porém tão intensa ainda. Memória que reluz em todo o lugar. Que atinge até mesmo o sabor dessa viagem, que poderia ser marcada com a brasa das lembranças inesquecíveis, caso eu ainda estivesse vivendo o presente. Algumas coisas não morrem, cavalgam lado a lado numa carruagem de vento que está sempre conosco.
“No meu primeiro dia ao teu lado, fingi que não te reconhecia de outras vidas, tamanha a intimidade que rendi.”.
Lício é um simples trabalhador, homem de suave honestidade. Suave perversidade. Íntegro. Muito curioso, feito de perguntas. A visão que agora tinha do planeta Terra, trazia sentimentos intermináveis e alguns desconhecidos. Olhe para um amigo morto e saberás um pouco, leitor, dessas sensações. Não abandonei o planeta, mas não tenho mais comigo o aroma daquelas terras. Nem sei se me vêem ou se me procuram. O fato é que algumas coisas precisam ser vislumbradas de bem longe até que fiquem pequenas e caibam em minhas mãos. Falaremos delas mais tarde.
Por entre os percursos de realidade, caminhei sempre com as mais indecifráveis sensações, invocando a humildade de reconhecer nelas os seus mistérios e as minhas ignorâncias.
Não te conheço ainda, Lício, porque você é para onde caminha o meu estudo. Estudo homens como você. Sei que nada te sei: ...da razão coordenada; do segmento e da evolução humana; de um universo de pensamentos; de origens seculares; tentativas de mitos; de narrativas em linguagens matemáticas; de átomos propostos no teu corpo – que para mim é uma chama periódica por dentro – da razão que, seguramente, só sei sentir. Lício.
Contigo transformo idéias de nós mesmos, como se fôssemos hipóteses de gente. A verdade é que somos uma perfeição sem noção da complexidade – ou simplicidade? – disso.
Simplicidade!
Enquanto isso um experimenta o outro, como quando você me levou para um lugar só seu, numa noite muito parecida com essa, muito azulada. Eu dirigia cegamente, mas você, você me dirigia em silêncio com o caminho traçado à minha frente. Entramos num prédio desconhecido pra mim, mas teu velho território, aparentemente. Subimos escadas feito invasores. Tive mais coragem em encará-lo porque estávamos na penumbra e assim meu rosto fica mais bonito. O trajeto ainda incluía uma passagem estreita, para corpos magros, que daria finalmente num terraço. “Eu ficava aqui quando era menor, sozinho.” Disse. Pronto, ficava sozinho. Ficava.
Dessa vez determinamos uma mudança naquele passado. Ao levar-me até lá, passei a fazer companhia ao pequeno Lício, que agora me via e tinha um amigo. Tornamo-nos amigos para a vida toda: para o passado – já faço parte -, presente e futuro. A vida toda não passa de uma consciência do tempo.
A vida toda não passa.
Sou um espírito cheio de segredos e nenhum deles será compartilhado aqui nessa história, pois que prefiro dizer a quem realmente escuta, apesar de não julgá-los analfabetos só porque lêem isso como se fosse uma autobiografia sua. Julgo analfabetos porque não lêem como se ouvissem a biografia de outra pessoa. É difícil colocar-se no lugar do outro. É difícil porque não sabem amar. Julgo mesmo. Contarei o que vale a pena ser dito. Desejo que os corações letrados de humanidade sejam capazes de penetrar nas páginas em branco que deixarei de escrever. É possível que eu me apaixone por você, e que eu faça dessa nossa relação um motivo de desabafo e de conspirações.
A ciência, a arte e a religião serão a mesma coisa. As coisas primárias. Depois delas – e além delas – tudo o mais será uma transformação. A união independe dos propósitos distintos. O contraponto é também uma soma. Só ao lado do complementar é possível realçar-se ao máximo.
Quando isso é dito, há um desafio enorme enunciado; uma batalha entre invencíveis ou entre derrotados, sem que a sutileza dessa resolução seja contemplada; há o tormento das diferenças entre raças, argumentos, escolhas e ambições terráqueas: a – com a licença do termo – lunática importância de conviver com os opostos. A incriada sabedoria de ser oposto à nada.
Façamos o nosso sexo.
Mas não pense olhar agora para trás. No máximo, se a ti parecer prudente, feche os olhos no momento da tua viagem, feche-os.
Sinta a umidez da água que correu teu rosto. Há vívida na pele, não há?
“No meu primeiro dia” lembra-se Lício, desperto pela verdade de menino, da infância, aquela que nutre ainda a imensidão de noite que consente no silêncio do espaço. Ele paira numa estrela distante daquela memória, viva no passado, porém tão intensa ainda. Memória que reluz em todo o lugar. Que atinge até mesmo o sabor dessa viagem, que poderia ser marcada com a brasa das lembranças inesquecíveis, caso eu ainda estivesse vivendo o presente. Algumas coisas não morrem, cavalgam lado a lado numa carruagem de vento que está sempre conosco.
“No meu primeiro dia ao teu lado, fingi que não te reconhecia de outras vidas, tamanha a intimidade que rendi.”.
Lício é um simples trabalhador, homem de suave honestidade. Suave perversidade. Íntegro. Muito curioso, feito de perguntas. A visão que agora tinha do planeta Terra, trazia sentimentos intermináveis e alguns desconhecidos. Olhe para um amigo morto e saberás um pouco, leitor, dessas sensações. Não abandonei o planeta, mas não tenho mais comigo o aroma daquelas terras. Nem sei se me vêem ou se me procuram. O fato é que algumas coisas precisam ser vislumbradas de bem longe até que fiquem pequenas e caibam em minhas mãos. Falaremos delas mais tarde.
Por entre os percursos de realidade, caminhei sempre com as mais indecifráveis sensações, invocando a humildade de reconhecer nelas os seus mistérios e as minhas ignorâncias.
Não te conheço ainda, Lício, porque você é para onde caminha o meu estudo. Estudo homens como você. Sei que nada te sei: ...da razão coordenada; do segmento e da evolução humana; de um universo de pensamentos; de origens seculares; tentativas de mitos; de narrativas em linguagens matemáticas; de átomos propostos no teu corpo – que para mim é uma chama periódica por dentro – da razão que, seguramente, só sei sentir. Lício.
Contigo transformo idéias de nós mesmos, como se fôssemos hipóteses de gente. A verdade é que somos uma perfeição sem noção da complexidade – ou simplicidade? – disso.
Simplicidade!
Enquanto isso um experimenta o outro, como quando você me levou para um lugar só seu, numa noite muito parecida com essa, muito azulada. Eu dirigia cegamente, mas você, você me dirigia em silêncio com o caminho traçado à minha frente. Entramos num prédio desconhecido pra mim, mas teu velho território, aparentemente. Subimos escadas feito invasores. Tive mais coragem em encará-lo porque estávamos na penumbra e assim meu rosto fica mais bonito. O trajeto ainda incluía uma passagem estreita, para corpos magros, que daria finalmente num terraço. “Eu ficava aqui quando era menor, sozinho.” Disse. Pronto, ficava sozinho. Ficava.
Dessa vez determinamos uma mudança naquele passado. Ao levar-me até lá, passei a fazer companhia ao pequeno Lício, que agora me via e tinha um amigo. Tornamo-nos amigos para a vida toda: para o passado – já faço parte -, presente e futuro. A vida toda não passa de uma consciência do tempo.
A vida toda não passa.
Sou um espírito cheio de segredos e nenhum deles será compartilhado aqui nessa história, pois que prefiro dizer a quem realmente escuta, apesar de não julgá-los analfabetos só porque lêem isso como se fosse uma autobiografia sua. Julgo analfabetos porque não lêem como se ouvissem a biografia de outra pessoa. É difícil colocar-se no lugar do outro. É difícil porque não sabem amar. Julgo mesmo. Contarei o que vale a pena ser dito. Desejo que os corações letrados de humanidade sejam capazes de penetrar nas páginas em branco que deixarei de escrever. É possível que eu me apaixone por você, e que eu faça dessa nossa relação um motivo de desabafo e de conspirações.
A ciência, a arte e a religião serão a mesma coisa. As coisas primárias. Depois delas – e além delas – tudo o mais será uma transformação. A união independe dos propósitos distintos. O contraponto é também uma soma. Só ao lado do complementar é possível realçar-se ao máximo.
Quando isso é dito, há um desafio enorme enunciado; uma batalha entre invencíveis ou entre derrotados, sem que a sutileza dessa resolução seja contemplada; há o tormento das diferenças entre raças, argumentos, escolhas e ambições terráqueas: a – com a licença do termo – lunática importância de conviver com os opostos. A incriada sabedoria de ser oposto à nada.
Façamos o nosso sexo.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Prefácio
As linhas desse livro contém demasiado tempo. Historicamente, são auxílios do futuro; são conselheiros fiés do porvir; um farol magnífico na costa que ilumina e aporta frotas e frotas de previsões. A história dessas linhas começa há muito tempo presente, - uma pergunta: como se conjuga o tempo presente no passado, sem apelar para uma palavra rudimentar que evoca a morte? – quando um homem comum, provido de qualidades naturais da cultura de sua década, por direito sua, nada excepcionais, como a cobiça embrionária de seus desejos, a fisionomia marcada por um contato descuidado com as noites, a arritmia cardíaca, breves e pequenos amores, ímpeto de viagens – talvez o mais fundamentado em sua personalidade -, viaja à distâncias - ao encontro delas -. Viaja... um percurso no universo, na velocidade de uma luz – o que equivaleria, se à mim fosse permitido a especulação, há 500 anos.
Só conhece a distância quem a ela se entrega sem medição; pura em sua propriedade indefinida; sigilosa. Assim, alcança uma estrela morta. Sabe que a luz desta, que agora chega no planeta Terra, provém do passado, fazendo-a visível e, apesar de morta, íntegra à constelação. Ele agora repousava na luz do futuro da Terra, cansado da viagem. A luz da estrela atingia nesse momento a noite da Europa. De qualquer modo, não havia nada que ele pudesse chamar de futuro naquele corpo celéste vagando pelo espaço, pois como alguém seria um dia capaz de identificar no presente que vive - na vista que possui, num arrepio, na presença das coisas, na viva repercussão do ambiente que atinge sua audição, nos sentimentos - o futuro? E aqueles que ficaram na Terra e vêem uma luz pré-histórica da estrela que ele agora habita, como poderiam compreender vislumbrar o passado? Talvez, numa hipótese indecente, porém passível de verdade, o presente sejam dois elementos: o passado e o futuro, capaz de iluminar cada um de nós de forma completamente diferente. Somos todos referenciais, se observadores extraordinários, e pontos de relatividade do tempo.
Só conhece a distância quem a ela se entrega sem medição; pura em sua propriedade indefinida; sigilosa. Assim, alcança uma estrela morta. Sabe que a luz desta, que agora chega no planeta Terra, provém do passado, fazendo-a visível e, apesar de morta, íntegra à constelação. Ele agora repousava na luz do futuro da Terra, cansado da viagem. A luz da estrela atingia nesse momento a noite da Europa. De qualquer modo, não havia nada que ele pudesse chamar de futuro naquele corpo celéste vagando pelo espaço, pois como alguém seria um dia capaz de identificar no presente que vive - na vista que possui, num arrepio, na presença das coisas, na viva repercussão do ambiente que atinge sua audição, nos sentimentos - o futuro? E aqueles que ficaram na Terra e vêem uma luz pré-histórica da estrela que ele agora habita, como poderiam compreender vislumbrar o passado? Talvez, numa hipótese indecente, porém passível de verdade, o presente sejam dois elementos: o passado e o futuro, capaz de iluminar cada um de nós de forma completamente diferente. Somos todos referenciais, se observadores extraordinários, e pontos de relatividade do tempo.
Assinar:
Postagens (Atom)
Arquivo do blog
Quem sou eu
- Rodrigo Calafange
- Lobos? São muitos. Mas tu podes ainda A palavra na língua Aquietá-los. Mortos? O mundo. Mas podes acordá-lo Sortilégio de vida Na palavra escrita.









